1. EDITORIAL 22.8.12

"EDUCAO EM MARCHA LENTA "
 Carlos Jos Marques, diretor editorial

Novas e ms surpresas marcaram a divulgao do ltimo ndice de Desenvolvimento da Educao Bsica (Ideb) na semana passada. Pelos dados, o ensino mdio brasileiro ficou estagnado. Pior: no universo das escolas particulares os nmeros esto abaixo do estabelecido como meta pelo governo. Diante do quadro desanimador, o MEC planeja lanar uma operao de emergncia mudando o currculo exigido. A ideia  reduzir a quantidade de disciplinas para reforar a qualidade do aprendizado. Na prtica  como tapar o sol com a peneira. A educao segue em ritmo lento, precrio, no Pas devido a uma srie de fatores, entre os quais o planejamento equivocado de seu desenvolvimento. No campo das universidades, por exemplo, desde 2007 se investiu muito na ampliao do nmero de vagas, deixando de lado a capacitao de professores e mesmo a infraestrutura necessria para a formao adequada dos alunos, como bibliotecas e laboratrios de ponta. Colocado como um plano de reestruturao universitria, visando  expanso do acesso dos brasileiros ao nvel superior, o Reuni pecou em fundamentos bsicos e acabou por abrir ainda mais o abismo entre as instituies de ensino de boa e m qualidade. Uma outra medida de carter discutvel comea a ser debatida no mbito federal.  a que trata da ampliao das cotas universitrias. O objetivo do governo  obrigar todas as faculdades pblicas a reservarem ao menos 50% de suas vagas para alunos oriundos de escolas pblicas. Essas faculdades so em geral as mais disputadas por todos os candidatos e, devido  diferena na qualidade do ensino, estudantes de colgios particulares normalmente so mais bem-sucedidos nas provas de admisso. Mudar esse panorama requer, em primeiro lugar, um maior preparo dos aspirantes trazidos da rede pblica para que no haja descompasso deles com os candidatos das instituies particulares em relao ao contedo oferecido no nvel superior. O MEC quer, por isso mesmo, adotar o sistema de aulas de reforo para os estudantes cotistas que vo se habilitar s federais. Tais alunos precisam ter um mnimo de conhecimento para atenderem s exigncias dos cursos pretendidos. Tudo isso custa dinheiro e a expectativa  de que o Senado vote o quanto antes o projeto de lei, j em tramitao na Cmara, que garante o investimento de 10% do PIB na educao. Lamentavelmente, pela demora nas negociaes partidrias at aqui, essa proposta ainda est longe de se tornar realidade.
